Usina Macabú

No inicio do século XX, Macaé ainda não possuia luz elétrica, quando seu Municipio vizinho, Campos, já possuia desde 1883, tendo sido a primeira cidade do Brasil a utilizar-se deste tipo de iluminação.

Até 1917, só havia iluminação a lampião, alimentado pelo óleo de mamona, também conhecido como azeite de baga, nas ruas onde trafegavam os bondes puxados por burros. Ao anoitecer, os funcionários da Prefeitura acendiam os lampiões e os apagavam às 2:00hs, com excessão dos sábados e domingos que ficavam acessos até a meia-noite.Em agosto de 1917, fopi inaugurado o moderno sistema de iluminação da cidade. Na atual praça da Luz, foi construida uma casa para abrigar o motor a óleo adquirido pela Prefeitura, para iluminar ruas e residencias.O motor era ligado às 18:00 e desligadoàs 2:00hs, por medida de economia, com excessãop aos sábados e domingos, que era desligado à meia-noite.Era comum as pessoas que estavam na rua, voltarem apressadas para casa, quando observavam que faltava poucos minutos para a luz apagar.A luz continua de má qualidade; Servia apenas para iluminação. Contudo foi um grande avanço considerando-se o sistema anterior de iluminação parcial era a lampião. No início da década de quarenta foi inaugurada a hidrelétrica de Glicério, qua passou a iluminar a cidade com luz alternada, de melhor qualidade. Perdurando até conclusão das obras da Usina Macabú, que melhoru consideralvemmente a energia elétrica. Todavia, as interrupções eram rotineiras, de dia e a noite. O cinema Taboada muitas vezes devolvia o dinheiro aos frequantadores, por que não exibia o filme, por falta de energia, pois logo que a luz apagava a central elétrica mandava avisar que a luz só voltaria no dia seguinte.Outras vezes, o cinema, cheio de espectadores, ficava no escuro por uma ou duas horas esperando a luz voltar para dar sequência a sessão. A algazarra era grande, mas tudo sob absoluta ordem. Era comum ouvrismos os poetas anônimos, na escuridão, declararem seus versos, muitos criticando os serviços de luz e água, um dos quais assim dizia; Macaé, Terra que seduz, de dia falta água, de noite falta luz. A situação pendurou até o início da década de setenta, quando foi unificada a ciclagem no país. A nossa região gerava energia de cinquenta ciclos, não podendo, consequentemente, ser interligar com outras redes de sessenta ciclos. Com a unificação, o nosso sistema foi interligado com Furmas ( 60 ciclos, resolvendo assim, o velho problema).

Em 1931, foram iniciados estudos preliminares para a instalação de uma outra usina hidrelétrica no rio Macabu que, integrada á usina de Glicério, melhoraria muito o serviço de distribuição de energia no Municipio. 0 local escoIhido para a implantação do projeto abrangeu dois trechos de duas bacias hidrográfficas: o prirneiro no rio Macabu, ,próximo as localidades de Tapera e Sodrelândia. no municipio de Trajano de Morais, numa altitude de 630mt; o segundo trecbo no municipio de Macaé, numa altitude de 300m. Entre os vales das duas bacias estendem-se os contrafortes ;(serra) de Crubixais, obstáculo orográfico que teve que ser vencido por urn túnel de 4.907m de comprimento que levaria àgua até as turbinas da usina, cerca de 330m abaixo. Estas àguas, depois de movimentarem os geradores, se juntariam às aguas, do rio São Pedro – engrossando seu caudal – e iriam mover a usina de Glicério, com 110 mt de queda (desnível). A construção foi iniciada em 21 de setembro de 1939 pela Comissão Central de Macabu, engenheiros e técnicos Brasileiros e Japonese. A coordenação geral do empreendimento foi Edmundo Franca Amaral, passando por muitos outros como capitão Hélio de Macedo Soares. Naquela época, ainda não havia no Brasil conhecimento tecnológico ("know-how') para construções de hidrelétricas do tipo de Macabu. As grandes usinas existents foram projetadas e construidas por técnicos estrangeiros. Não se fabricavam no país equipamentos eletromecânicos e, assim foi aberta uma concorrência internacional para o fornecimento dos equipamentos referente a primeira etapa das obras (11. 250 KVA), ganhando a Hitachi Japonesa.Com a eclosão da Guerra, em 1941, o contrato foi cancelado, a obra interrompida e os japoneses mandados embora.

Então, em março de 1942, foi constituida a Comissão Central de Macabu pelo governo do Estado, com a finalidade de dar continuidade às obras em 1947, as obras foram paralisadas por falta de recurso e, depois que novas verbas foram destinadas às obras, em 11 de Janeiro de 1950 entraram em funcionamento duas unidades geradoras dessa usina, com 3.750 KVA, antes mesmo da construção da Tomada de água definitiva. Em 4 de fevereiro de 1961, houve um acidente devido às fortes chuvas que carregaram material sólido para o canal de fuga da usina, entulhando-a até a borda, paralisando-a. Houve também inicio de desmoronamento e escorregamento da encosta do túnel sobre a casa de máquina de Macabu. 0 laudo conclui como a causa principal do estouro do tunnel a deficiência de ferro encontrada na seção fraturada, mostrando nitidamente que a execução desse trecho não obedeceu ao que constava no projeto.. No trecho onde houve o acidente, havia exatamente a ferragem projetada para rocha compacta quando, na realidade, face às características geológicas naquele segmento do tunel, exigia-se que fosse colocada ferragem projetada para rocha branda que, por ser mais permeável e menos resistente a pressão (cobertura insuficiente do tunnel), o concreto teria que ser amarrado com uma porcentagem de ferro muito maior do que encontrada no ponto em que ocorreu a ruptura (RESUMO HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA USINA MACABÚ). Na madrugada em que ocorreu o acidente com o tunel, foram chamados engenheiros e responsáveis pela obra à usina. Constataram que da montanha desciam toneladas de matacões de pedras que formavam uma barragem nas tubulações o que, na verdade, salvou a usina impedindo que fosse totalmente destruídaIniciou-se o trabalho mais dramático que todos tinham visto. Todos os empregados irmanaram-se durante 53 dias e 53 noites incansavelmente, até colocarem a usina Macabu novamente em funcionamento, o que só ocorreu em 28 de março de 1961. Durante a paralisação da usina de Macabu, todo o centro norte fluminense ficou praticamente às escuras. As necessidades de energia foram supridas em parte pelas usinas Tombos e Franca Amaral e a companhia de energia de Nova friburgo, as quais socorreram Macabu, fornecendo eletricidade apenas para reparos na usina. Toda energia consumida em Macaé era gerada pela usina de Glicério integrada à de Macabu, ate 1970, quando a usina de Glicério foi desativada e a de Macabu integrada a Furnas.

Informações retiradas do livro Macaé Sintese Geo-Histórica.

 

 

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