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Glicério

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Glicério

O distrito de Glicério possui uma história bastante controversa, permeada de fatos históricos muito peculiares, tanto que arriscamos dizer que o atual distrito não existiria se não fossem estas peculiaridades de sua história. Sua origem se confunde completamente com a do distrito do Frade, de maneira que, há umas três décadas atrás, ambos eram um mesmo distrito.
Antes, Glicério era apenas um dos vários povoados do distrito do Frade, e acredita-se que não tinha este nome. Na ocasião, chamava-se Crubixais, nome de origem tupi cujo significado era “rio dos seixos” ou “rio das pedras”, em alusão às características dos rios da região, bastante encachoeirados e pilhados de pedras.

A Estrada de Ferro Central de Macaé

O nome Glicério surgiu a partir da construção da estrada de ferro Central de Macaé, cujo objetivo era ligar Macaé ao Arraial do Frade. Em 1891, a estrada foi entregue para o tráfego, mas com um detalhe: sem atingir o arraial, como rezava o contrato, possuindo a extensão de 42,7 Km, e tendo como terminal a estação de Crubixais, seis quilômetros antes de atingir seu ponto final. É nesse momento que a história começa a definir o destino do atual distrito de Glicério.

“A Leopoldina Railway acabou comprando a Central de Macaé, em 1898, e legalmente, por lei e decreto de 1901, foi a empresa inglesa dispensada de concluir a linha até chegar ao Frade. Segundo Antonio Otto, isso foi feito com aquiescência do então ministro, o paulista General Glicério, que acabou homenageado com o seu nome pespegado à estação férrea” ( A A PARADA, 1995).

Vários Nomes, Um Único Distrito.

Não se sabe qual foi o motivo pelo qual a estrada de ferro parou em Crubixais: por falta de dinheiro, ou por motivos técnicos, já que a partir dali, a serra se intensifica em direção ao Frade. O fato é que, com o terminal localizado neste ponto, foi favorecido o crescimento da localidade, pois todos deveriam convergir para lá a fim de escoar sua produção. Nasce então, no local, um comércio próspero e intenso.
Surge então uma grande relação de forças entre o arraial do Frade e o povoado de Crubixais, que pela grande importância da estrada de ferro, já se chamava Glicério. Isto resultou em constantes mudanças de nome do distrito, como relatado abaixo:

“O fato é que o distrito que, em 26, ficou célebre com a construção da primitiva usina hidrelétrica que serviu à cidade, hoje é o 7º, mas já foi o 8º na classificação. Seu nome de Glicério passou à Frade, em 1918, retornando vinte anos depois, 1938, ao nome de Glicério. Gente inconstante nos poderes estaduais, cinco anos após, através do decreto-lei estadual nº 1056, mudou-lhe a nomenclatura para Crubixais, até acabar, mais tarde, como ‘ave que volta ao ninho antigo’, fixando-se no atual Glicério” ( A A PARADA , 1995 ).

Glicério Hoje

A questão só foi resolvida recentemente, na década de 70, quando o território foi desmembrado em dois: uma parte para Glicério, outra para o Frade, conforme é atualmente. Hoje o distrito de Glicério vive da pecuária, de algumas plantações de banana, e de um turismo incipiente de grande potencial, de esportes radicais, de ecoturismo e de turismo histórico.


A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE GLICÉRIO


Com o crescimento da economia da cafeicultura, a partir do início do século XIX, a serra macaense – que só dispunha para o seu escoamento hidrovias que ligavam a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Frade à Macaé através do porto de Trapiche e Madressilva – vê surgir a necessidade de novos meios de transporte. No ano de 1888, foi concluída a obra da estação ferroviária para interligar a serra do Frade à Macaé. A construção do trecho da estrada de ferro que ligava a serra do Frade à Macaé foi iniciada pela Cia. E.F. Leopoldina e concluída pala companhia inglesa The Leopoldina Raiway Company Limited, e foi aberta ao tráfego pela Estrada de Ferro Central de Macaé no ano de 1891. A Estação de Glicério, recebeu tal denominação em homenagem ao General Francisco Glicério, político paulista de grande influência na época, e Ministro da Viação e Obras públicas. Nos fins dos anos sessenta do século XX, a estação foi desativada, e, na década de setenta do mesmo século, foi criado nas dependências da estação uma escola pública intitulada Jardim da Infância Silvana Rodrigues – nome verdadeiro de uma negra velha, rezadeira, conhecida como Vovó Silvana, que alegava ser a mãe do ator Grande Otelo. Em 1980, a estação de Glicério foi transformada no espaço cultural Vovó Silvana e assim permanece até os dias atuais. Recentemente, após vários anos de abandono e deterioração, o prédio foi restaurado pela prefeitura.

Descrição Arquitetônica.

A estação obedece ao estilo simples, rústico e próprio das estações dos pequenos centros da época . Com cobertura em telha canal de fabricação artesanal feitas pelos escravos e modeladas em suas coxas, o telhado tem caimento para a frente e para trás com as paredes laterais acompanhando a inclinação do mesmo. Sua frente é voltada para a plataforma de embarque, coberta por uma marquise sustentada por mãos francesas moldadas em trilhos ferroviários. A parte de trás também possui uma marquise protegendo uma calçada, mas sustentada por mãos francesas em madeira, que terminam na parede apoiadas sobre um detalhe em alvenaria. Esta parede contém uma porta grande de entrada que corre sobre trilhos, e duas janelas gradeadas que foram acrescentadas posteriormente. Na parte da frente, além de uma mesma janela gradeada, há duas portas, sendo uma maior também assentada sobre trilhos e outra porta simples, com duas abas. O prédio é pintado de branco, contendo uma barra em chapisco cinza em todo o seu redor. Internamente, um quarto do piso é em tábuas largas de madeira e os outros três quartos em cimento simples liso. Os caixilhos das portas e janelas são internos e invisíveis em peças grossas de madeira. Peças de madeira também de grande porte e aparentes sustentam o telhado e o vão interno, assim como funcionam como vigas de amarração das grandes paredes laterais. As portas, em sua parte superior são sustentadas por roldanas que correm sobre trilhos invisíveis na parte externa do prédio.

Fonte: Solar dos Mello, Intranet
Museu da Cidade de Macaé

CORREDOR ARQUITETÔNICO GLICÉRIO


O ano de 1928, marca o final da construção de um conjunto de prédios objetivando abrigar os primeiros estabelecimentos comerciais da região administrativa do Frade, localizado no Vale de Crubixais, em torno da estação ferroviária, atualmente Glicério.

Descrição Arquitetônica

O Cine Theatro Glória forma, com a Casa Luso-Brasileira, a Pharmácia Paes, o Salão Sardinha e casa para a moradia do Sr. Salvador Pires, um conjunto arquitetônico harmônico sofrendo a influência do estilo neo-clássico e obedecendo, com pequenas diferenças ao mesmo tipo de desenho em janelas e portas, a mesma pintura da parede e dos alisares brancos em alvenaria lisa, que fazem pano de fundo em forma de faixas em alto relevo onde se lêem os nomes das casas comerciais, assim como os de seus proprietários. Este conjunto de imóveis possui uma parte central, em um pavimento, que constituía a Casa Luso-Brasileira. Este armazém tinha originalmente, do lado esquerdo, quatro portas de metal estreitas e altas, com vergas retas e grades na parte superior, e, no lado direito, uma porta central, também alta, porém mais larga, ladeada por duas janelas. Hoje , a janela da direita e a porta central foram transformadas em apenas uma porta grande, permanecendo a janela esquerda. Esta parte central deste corredor arquitetônico tinha, à sua direita, o Cine Theatro Glória, e, à esquerda, um prédio da mesma altura do cinema, contendo dois pavimentos. No segundo piso, uma residência, a fachada apresenta quatro janelas com vergas retas e altas, e no térreo, quatro portas altas e estreitas com a parte superior em arco. Duas dessas portas, as da esquerda, abrigavam a Pharmácia Paes e as duas da direita o Salão Sardinha. Os dois prédios laterais possuem desenhos arquitetônicos semelhantes, formando um conjunto harmônico e simétrico. Todas as portas e janelas são circundadas por alisares em alvenaria lisa e branca e a faixa que divide o corpo do prédio da parte da fachada que encobre o telhado é em forma de sanca branca encimada por telhas francesas. As partes superiores da parede dos prédios formam desenhos centrais em arcos que também são feitos em faixas em cimento liso em alto relevo, cobertos por telhas francesas que funcionam como pingadouro e fazem o acabamento da fachada do conjunto. O reboco do prédio é em chapisco azul, o que faz ressaltar as faixas em cimento liso.

O Cine-Teatro Glória

Por iniciativa de um Sr. Chamado Renato que tinha um cinema na Tapera, o cine Glória foi criado num prédio localizado bem no centro de Glicério, pertencente a Juarez Nocchi. Mais tarde, o próprio Juarez, junto com o Sr. Heveraldo, investiram em novos projetores. Os filmes eram de faroeste e dramas da Columbia e da Universal, e vinham de trem até Glicério. As seções ocorriam nas quintas-feiras e nos sábados, sendo nos domingos levados para Tapera. Os projetores eram de 16 mm. O Cine-Theatro Glória era muito freqüentado pela população local, mas com a desativação da ferrovia o transporte dos filmes ficou inviável economicamente, e os proprietários resolveram fechar o estabelecimento.
O prédio sofreu influência em sua Arquitetura do estilo neo-clássico, em linhas retas, apresentando a fachada com quatro portas altas com vergas retas, com grades na parte superior, e o alisar em alvenaria pintado de branco, fazendo contraste com a pintura azul do prédio em chapisco. Essas portas, que originalmente eram três, hoje são apenas duas, permanecendo a da esquerda, tendo as outras duas sido transformadas em apenas uma porta grande. O telhado em telha francesa permanece invisível, sendo visíveis somente as telhas que cobrem o beiral superior que o esconde. A parte superior central do prédio, acima das portas, onde internamente está localizado o compartimento que abrigava o projetor, tem uma pequena janela com vidraça na parte superior em arco e veneziana na parte inferior. O beiral que esconde o telhado é separado do corpo do prédio por uma barra branca em alvenaria lisa, que suporta uma fileira de telhas francesas. Toda a parte inferior da fachada obedece a influência do estilo neo-clássico com uma barra cinza em chapisco mais grosso, de mais ou menos 60 cm de altura. O letreiro “Cine Theatro Glória” é pintado a mão livre de azul sobre uma barra branca , também em alvenaria, acima das portas, de um lado e de outro da pequena janela. A parte interior do prédio ainda conserva um mezanino em madeira, que, além de suporte para o projetor, era usado lateralmente como uma espécie de camarote, aonde se chega através de uma escada de madeira. Com o encerramento das atividades cinematográficas, o prédio sofreu uma interferência, tendo sido feito um teto rebaixado de pinho, onde originalmente não havia forro nenhum – o telhado era visível - e uma parede no local do palco e do camarim que ficava embaixo deste.

Fonte: Solar dos Mello, Intranet
Museu da Cidade de Macaé


Agradecimentos a Artemio Macedo por ceder estas informaçoes Históricas da Região.

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