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Serra (Macahe 1891)
Um antigo distrito de Macahé chamado Neves atingiu
o seu apogeu no Governo Francisco Portela, que o elevou à categoria
de Vila, embora fosse efêmera essa situação de destaque
político. A coisa assim ocorreu em 24 de fevereiro de 1891 era,
ainda, Presidente do Estado o Dr. Francisco Portela. O Decreto Estadual
171 criou o Município de Neves, com sede na Freguesia de Nossa
Senhora das Neves, elevada a condição de Vila. E o novo
Município desmembrado de Macaé, tinha seus limites com este
pelo quilometro 10, em linha reta, com Nova Friburgo, pelo lugar chamado
Peito de Pomba, com Barra de São João que na época
era cidade; na Estação de trem de Califórnia, abrangendo
Jundiá, Purgatório e Pico Alto, assim como toda Freguesia
do Frade e de Glicério, com os limites conhecidos.
Convém assinalar que, nesse mesmo ano, em 1° de maio, o Decreto
Estadual 205 criou o Município de Macabu; com dois distritos: Conceição
e Santa Catarina. Essas duas novas Unidades Estaduais, saídas do
território Macaense, pouco durou como cidades. Em 29 de abril de
1892, o Decreto Estadual n°.52 revogou os anteriores, extinguindo
os Municípios de Neves e Macabu; fazendo seus territórios
retornarem ao de Macaé.
O Distrito de Neves localizava-se antes de Córrego do Ouro, até
pouco tempo existia a ponte de ferro da antiga estrada Macaé -
Glicério onde o rio passava, mas com a mudança de curso
do rio, a ponte aos poucos foi sendo destruída e foi vendida em
ferro velho, destruindo também Nossa história.
Por sorte, e força de vontade e ação de algum político
da época Macaé não perdeu a sua "Menina dos
Olhos" que é a Serra (Sana, Córrego do Ouro, Frade
e Glicério).
O Distrito de Barra de São João foi elevado à categoria
de cidade em 1859, na época seu território abrangia Casimiro
de Abreu, Rio das Ostras e fazia divisa em Imboassica (Parque de Tubos);
anos depois mudaram o nome do Município para Casimiro de Abreu,
mudando a Sede para a Fazenda do pai do Poeta, voltando Barra de São
João como Neves a ser distrito outra vez.
O Distrito de Macabu continuou insistindo e em 1952 foi elevado à
categoria de cidade com o nome de Conceição de Macabu.
Muitos anos depois perdemos o Distrito de Quissamã e o de Carapebus,
que se emanciparam.
Se o Decreto n°. 171 de 1891 fosse mantido Macaé hoje ficaria
reduzido
a Cabiúnas 2° Distrito e 1°. Distrito Macaé.
Informações obtidas no www.odebateon.com.br
O Clima da Serra.
O clima da região de Macaé é quente e úmido
em quase toda a sua extensão, exceto na região do distrito
do Sana, que se apresenta superúmido, e a do litoral, com um clima
subúmido. Com temperaturas entre 18°C e 24ºC na maior
parte do ano e calor bem distribuído o ano inteiro, no inverno,
a temperatura varia de 10ºC à 18ºC. Nessa época,
a topografia acidentada da região serrana, com escarpas de blocos
falhados, associadas às planícies fluviais da bacia do Rio
Macaé, é responsável pelo aumento da turbulência
do ar, causando freqüentes nevoeiros e neblinas na região,
fato que requer cuidados por parte dos visitantes e moradores que trafegam
pelas estradas, principalmente à noite. O fenômeno é
também responsável pela amenização das temperaturas.
Esta mesma formação, nos outros meses do ano, com a ascensão
forçada do ar, provoca o aumento das precipitações,
que dobram de volume, e associadas às correntes regulares e freqüentes
do nordeste, criam um centro de alta pressão sub tropical que é
responsável por temperaturas médias mais ou menos elevadas
e níveis de umidade relativamente altos, geralmente associados
ao céu limpo, azul e livre de nebulosidade. Entretanto, é
nas áreas mais montanhosas que ocorre o maior volume de precipitações,
já que o relevo acidentado barra o vento sudoeste vindo do mar,
muito úmido e quase sempre portador de dias chuvosos. A pluviosidade
do local é em torno de 1200 mm ao ano, e a época de maiores
chuvas se concentra nos meses de outubro à março.
Bibliografia: CIDE, 2000.
Macaé Síntese Geo-Histórica, 1990.
HIDROGRAFIA
A região de Macaé é banhada pela Bacia Hidrográfica
do Rio Macaé, formada por dois importantes rios e seus afluentes.
O primeiro é o Rio Macaé que nasce na Serra de Macaé
de Cima, no município de Nova Friburgo. Chega ao município
através da localidade de Barra do Sana, no distrito do Sana, servindo
de divisa com o município de Casimiro de Abreu até o Córrego
do Retiro. A partir daí, segue em território macaense até
a sua foz, servindo de divisa dos distritos de Cachoeiros de Macaé
e Córrego do Ouro até o Rio Morto, e daí corta o
distrito de Córrego do Ouro até depois da Rodovia BR 101.
Daí, segue para o mar, com sua foz localizada no centro da cidade,
compondo um estuário rico em manguezais. Seus principais afluentes
da margem direita são: o córrego Seco, o rio Purgatório,
das Pedrinhas, Teimoso. Pela margem esquerda: Rio Sana, Córrego
D’Antas, Rio Morto e o Rio São Pedro. O segundo rio é
o São Pedro, que nasce na serra de Macaé, no distrito de
Glicério, e tem sua foz no município de Carapebus. Seus
afluentes na margem direita são: Córrego da Sibéria,
Buracada, Rio das Pedras, Duas Barras, Trapiche, Córrego do Ouro
e Frederico. Na margem esquerda: Córrego do Buião, da Onça
, das Aduelas, Rio Lírio, Grumarim, Perada e Crubixais.
A Retificação dos Rios Macaé e São Pedro.
Ambos os Rios Macaé e São Pedro apresentam-se, tanto no
alto como no médio curso, sinuosos e encachoeirados. Já
no baixo curso, apresenta um leito lento que constantemente provocava
enchentes. Por isso, em 1967, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento
do Estado, promoveu em ambos os rios, obras de retificação
no médio e baixo curso a fim de resolver as cheias periódicas
de suas margens, que contribuíam para a proliferação
de doenças transmitidas por mosquitos como a malária e o
cólera, além de transtornos para a cidade de Macaé,
como relatado no trecho abaixo:
“Nos anos 20 deste século, (...) o Rio Macaé representava
praticamente a única via para a vinda e a ida de mercadorias entre
a cidade e os 6º e 7º distritos de então, Neves e Cachoeiros,
bem como para parte dos 8º e 9º distritos, ou seja, Glicério
e Sana. A dragagem do Rio Macaé, em 1923, era um imperativo para
aquelas regiões do município, tanto que a Associação
do Comércio, Indústria e Lavoura de Macaé dirigiu
ao interventor federal do Estado do Rio, Dr. Aurelino Leal, um ofício
em que (...) pedia a referida dragagem. (...) pela falta de limpeza do
rio que, em tempos secos, não oferece volume de água suficiente
para a navegação porque o leito está ao nível
dos terrenos marginais e as águas, recebidas nas enchentes, em
vez de ficarem no rio espraiam-se, formando pântanos, e não
voltam ao leito pela capacidade deste para recebê-las. Essas águas
que ficariam no rio aumentando o seu volume para a navegação
(...) tornam-se o veículo da febre e do impaludismo (...) e roubam
ao Estado a energia de muitos de seus filhos e grande parte de terrenos
transformados em pantanais.” (A A PARADA, 1995)
A mudança do curso dos rios favoreceu principalmente os donos
de terras localizadas nas margens dos mesmos, que podiam então
cultivar suas terras, mas os rios perderam grande parte de suas riquezas
naturais, como a flora e a fauna característica dos alagados.
No rio São Pedro se encontra a barragem da antiga usina hidrelétrica,
a primeira do município, que abastecia a região e a sede
(Macaé). É também nos trechos de corredeiras do Rio
São Pedro que ocorrem as competições esportivas de
canoagem e. mais recentemente, a prática do Acqua Ride. No Rio
Macaé, nos trechos localizados na divisa com o município
de Casimiro de Abreu ocorre a prática do rafting.
As lagoas de Macaé.
Macaé apresenta, além de uma grande rede fluvial, um conjunto
enorme de pequenos reservatórios naturais de água, grande
parte em função da sua baixa altitude em relação
ao nível do mar, e por apresentar a maior parte de seu território
formado por uma grande planície litorânea. Mas essas pequenas
lagoas, em grande parte, estão sendo eliminadas, em função
do grande interesse imobiliário que aumenta com o rápido
crescimento da cidade. Entretanto, existem dois espelhos d'água
de grande importância, que resistem a este crescimento. O primeiro
é a lagoa de Jurubatiba, localizada dentro do Parque de Jurubatiba
e que, por isso, é protegida por lei. O segundo é a Lagoa
de Imboassica, maior espelho d'água da cidade, localizada no limite
com o município de Rio das Ostras e alimentada pelo Rio Imboassica.
Sendo a mais ameaçada, a Lagoa de Imboassica sofre com o assoreamento
de seu leito, com o despejo de grande quantidade de esgoto não
tratado, oriundo dos bairros de seu entorno, com a ocupação
de suas margens e a pesca predatória praticada em suas águas.
Recentemente, a Prefeitura de Macaé apresentou um projeto de estação
de esgoto a ser construída em parceria com as empresas localizadas
no entorno, que atenderá os bairros localizados na região,
eliminando definitivamente o despejo de esgoto na lagoa. Mas, para garantir
a sua sobrevivência, é preciso também eliminar os
outros problemas que impactam suas águas.
Bibliografia: CIDE, 2000.
A A Parada, Histórias Curtas e Antigas de Macaé, Artes Gráficas,
1995.
Extraído de www.serramacaense.com
VEGETAÇÃO
O Município de Macaé apresenta diversos ecossistemas, resultando
em diferentes áreas de vegetação nativa, correspondentes
aos ecossistemas existentes. Entretanto, todos se relacionam intensamente.
A Região Serrana apresenta vegetação original da
Mata Atlântica, podendo ser vista somente nos lugares mais inacessíveis
das escarpas rochosas. Grande parte da cobertura original foi dizimada
pela exploração da madeira e lavoura do café, ocorridos
durante a década de 20, e atualmente pela aumento das pastagens
naturais. Os únicos locais protegidos são o Parque Natural
Municipal Fazenda Atalaia, área de proteção ambiental
localizado no distrito de Córrego do Ouro e cachoeiros de Macaé,
a APA do Sana, abrangendo todo o 9º distrito, e a Reserva Biológica
União, área federal localizada entre os municípios
de Casimiro de Abreu, Rio das Ostras e Macaé, ocupando neste município
uma pequena parte do Distrito de Cachoeiros de Macaé. Nas baixadas
encontram-se áreas de capoeirões com vegetação
em estágio primário, arbóreos. Na planície,
podemos encontrar grandes cordões de restinga, em destaque para
a área do Parque Nacional de Jurubatiba, localizado na divisa com
o município de Carapebus. A vegetação de mangue também
se apresenta de maneira relevante, se concentrando no estuário
do Rio Macaé e às margens do Canal Macaé-Campos.
Cada ecossistema apresenta vegetação típica, mas
é possível verificar que todas as espécimes são
oriundas da mata atlântica, com as devidas adaptações
às condições impostas pelo ambiente em que se encontram.
A excessiva fragmentação da vegetação na região
preocupa vários segmentos da sociedade, que se esforçam
em exigir dos órgãos competentes a proteção
das áreas ameaçadas, além de buscarem a viabilização
de novas áreas de proteção ambiental. Existe ainda
a idéia defendida pela sociedade local, e apoiada por segmento
técnico, de viabilizar um corredor ecológico que ligaria
todas as áreas de proteção da região serrana,
propiciando um ambiente favorável à preservação
de várias espécies da flora e da fauna local.
Bibliografia: CIDE, 2000.
SOLOS
Considerando os múltiplos aspectos da geologia, da vegetação,
do relevo e do clima da região, podemos encontrar em todo o território
Macaense dois tipos básicos de solo. O primeiro tipo é encontrado
nas planícies fluviais do rio Macaé e seus principais afluentes,
que são os solos aluviais, resultantes da deposição
do aluvião. Variam muito devido à diversidade do material
depositado. São muito férteis e, apesar de possibilitar
um uso diversificado na agricultura, na região predominam as pastagens
naturais. O segundo tipo de solo encontrado é o latossolo, solo
normalmente muito profundo em estágio já bastante desenvolvido,
relacionado em geral a um relevo forte ondulado e montanhoso (Cide, 1998),
encontrado na região serrana e correspondente aos maciços
costeiros da Serra do Mar.
Bibliografia: CIDE, 2000.
RELEVO
A estrutura geológica da área da Região de Macaé
compreende uma grande planície costeira formada pelos vales fluviais
do Rio Macaé, Rio Sana e Rio São Pedro, avançando
até as colinas e maciços costeiros da Serra do Mar, que
remontam ao período arqueozóico e proterozóico. Após
a ação dos agentes erosivos e de eventos tectônicos,
o resultado foi falhas e serras isoladas, facilmente observadas no local
(CIDE, 2000).
As serras encontradas na região, são: Serra da Vitória
(467 m), Pico do Frade (1429 m), Serra da Pedra Branca (920 m), Serra
da Cruz (900 m), Serra da Peroba (1400 m), Serra de Duas Barras (1173
m), Serra de Crubixais (1400 m), Serra de Macaé (1543 m), Serra
da Caldeira (977 m), Pico da Bicuda Grande (781 m) e Serra dos Três
Bicos (1227 m).
Bibliografia: Macaé Síntese Geo-Histórica
Prefeitura Municipal de Macaé
Secretaria de Cultura e Turismo
Núcleo de Educação Comunitária
Projeto Macaé
Agradecimentos a Artemio Macedo por ceder estas informações.
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