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O QUILOMBO DE CARUKANGO. Poucas pessoas sabem, mas em Macaé existiu um Quilombo quase tão importante quanto ao Quilombo dos Palmares. Veja abaixo a história deste quilombo.Informações conseguidas no site do Castelo www.castelo.com.br
O QUILOMBO DE CARUKANGO
O Negro Carukango Nascido em Moçambique, Carukango se constituía líder político e religioso de sua tribo, e provavelmente se tornou prisioneiro em guerras inter-tribais ocorridas em seu país. Vendido para um traficante de escravos brasileiro, foi acondicionado em um tumbeiro que aportou na Ilha de Sant'Ana, em Macaé, no início do séc XIX. Macaé, através do Porto de Imbetiba, constituía um importante mercado negreiro da região, e foi lá que o fazendeiro Francisco Pinto da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, localizada na área do atual Distrito de Córrego do Ouro, comprou o negro Carukango. Em virtude de seu passado de líder, Carukango nunca se conformou com sua condição de escravo, e trouxe muitos transtornos para o seu dono. Enquanto escravo, resistiu ao trabalho, mesmo sofrendo castigos e exerceu liderança sobre os outros escravos. Quando pode, fugiu e constituíu o seu quilombo. O Quilombo O Quilombo de Carukango era um desses agrupamentos que ameaçavam
a ordem da Colônia. Situava-se na Serra Macaense, mais precisamente
num platô localizado na Serra do Deitado, parte da atual Serra da
Pedra Branca. Constituindo-se em uma das maiores comunidades quilombolas
do Estado do Rio de Janeiro, o quilombo de Carukango desenvolvia diversas
atividades agrícolas, além da caça e da pesca. Os
quilombolas viviam sobre um único abrigo, em forma de barracão,
e resistiram por quase duas décadas. As Versões da Batalha Final A versão mais conhecida da dissolução do quilombo
de Carukango conta que, ao atingir o platô onde se localizava o
grande barracão em que se alojavam os quilombolas, o grupo invasor
se deparou com centenas deles, de todas as idades e sexos, armados de
foices, lanças e algumas armas de fogo, prontos para defenderem
seu território. Diante da luta desproporcional que se iniciou,
Carukango surge no meio de todos, paralisando o ataque. Usando um manto
religioso e trazendo um crucifixo ao peito, ele aproxima-se dos milicianos
dando a entender que iria se render, quando de repente, saca uma pistola
de dois canos escondida em baixo do manto, e dispara contra o filho mais
moço de Francisco Pinto, matando-o. Imediatamente Carukango é
linchado pelas tropas de Francisco Pinto. Diante do líder morto,
os quilombolas que não haviam sido atingidos no ataque atiraram-se
dos penhascos, suicidando-se. Herói ou vilão? O documento encontrado pelos historiadores requer maiores estudos. Entretanto, a sua descoberta tem uma importância enorme pois, além de reparar uma injustiça a respeito de Carukango, pode representar a única prova documental conhecida de um quilombo, já que os quilombos até então eram conhecidos no Brasil através de relatos orais ou por seus remanescentes. Porém, seja qual for a versão verdadeira, ela não tira a importância que o Quilombo de Carukango tem hoje no resgate da história afro-brasileira no contexto regional e nacional. Projeto “A Escola Bebe nas Fontes” No dia 6 de Abril de 2006, por ocasião do evento comemorativo dos 175 anos da extinção do Quilombo de Carukango, a SEMAPH realizou no Colégio Estadual Municipalizado Carolina Curvello Benjamim a abertura do projeto “A Escola Bebe nas Fontes”, que objetiva a divulgação junto à comunidade e as escolas, do trabalho e das descobertas do laboratório de pesquisa em história local da instituição. Para o ano de 2006, o tema de estudo proposto é “A vida do escravo na história de Macaé”. É nesta ocasião que os alunos e os professores tiveram a oportunidade de entrar em contato com os novos dados sobre o quilombo. Este encontro gerou várias iniciativas de trabalho entre professores e alunos. Dentre eles foi idealizada a peça CARUKANGO, apresentada no evento LiteArte pelos alunos do ensino fundamental em Macaé.
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